
Hoje, enquanto trabalhava, parei para ler uma reportagem na Folha de São Paulo, uma entrevista com o escritor argentino, Jorge Bucay. Bucay está lançando seu primeiro livro em português, "Amar de Olhos Abertos", em parceria com Silvia Salinas, e suas declarações me chamaram bastante atenção.
Segundo Bucay "o amor é a simples alegria pela existência do outro. Não é possessão, nem felicidade necessariamente... O amor cego não aceita o outro verdadeiramente como ele é." Fiquei alguns minutos pensando sobre, e lembrei de algo que recentemente ouvi de um amigo, enquanto saímos do cinema, logo após assistir o filme "Nosso Lar". Ele me disse "o verdadeiro amor é aquele que aceita a felicidade do outro."
Confesso que ainda não cheguei a este grau de "aceitação" do amor perfeito, acredito que ainda exista um pouco de egoísmo nos amores e nas paixões que sinto. Tudo bem que em meu sentimento não exista maldade, raiva, mágoa ou coisa parecida, mas sinto que ainda não consigo lidar com tal comportamento e me pego triste, chorando e pensando...
Em uma de suas citações, Bucay, alerta sobre o comportamento de nossa sociedade em relação a preferência pela intensidade da paixão, mesmo sabendo que é efêmera a algo duradouro e eterno. "Procuramos correr mais rápido, chegar antes, desfrutar intensamente. A paixão é como uma droga: no seu momento fugaz faz pensar que você é feliz e não precisa de mais nada. Um olhar, uma palavra te levam aos melhores lugares".
O amor egoísta realmente machuca, fere e destrói o que poderia ser não necessariamente um sentimento eterno, mas profundo. "Amadurecer significa também desfrutar das coisas que o amor dá, como partilhar o silêncio e não o beijo, saber que a pessoa está ali". Bucay também afirma que o as relações duram quando o relacionamento oferece oportunidades para que ambos cresçam e que um dos grandes motivos do fracasso está ligado diretamente as nossas dificuldades de trocar intensidade por profundidade.
Acredito que tudo faz parte de um processo de amadurecimento. Já "abri" mão de um sentimento que achava que era tudo. Tento me convencer todos os dias que não posso lamentar a perda, mesmo por que ela é passageira, como muitas coisas. Que as minhas ações e meus sentimentos não fiquem somente nas palavras proferidas, mas também em minhas ações.
Dica Musical
E eu nunca vou deixar você tão só - Liah
"Amar de Olhos Abertos" (ed. Sextante, R$ 24,90, 208 págs.)
Ilustração Danilo Zamboni
Nenhum comentário:
Postar um comentário