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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As minhas saudades



Por que sentimos saudades? Li recentemente uma reportagem da revista Super interessante, onde dizia que sentir saudades faz parte da natureza humana e diferente do que muitos possam pensar, a palavra saudade mesmo sendo intraduzível em outros idiomas, possui um significado universal.

Sinto saudades de muita coisa, de pessoas, de lugares, de experiências...

Hoje, a caminho do trabalho, lembrei com saudades da época do colégio, em que minhas preocupações eram outras e principalmente, por que dificílmente tinha que tomar decisões baseadas na racionalidade. Dias atrás, chamei minha mãe para ir visitar o colégio em que estudei na primeira série. Por mais que me lembre dele, alguns detalhes me escapam e gostaria de relembrá-los.

Segundo a mesma reportagem, a saudade tem dois lados: aquele positivo em que nos apegamos a bons momentos e o negativo em que está literalmente atrelado a um sentimento de perda, sendo ele ou não causado por um fator inerente ao nosso controle. Acredito que saudade é sim baseado em algo bom que aconteceu, que tenha valido a pena, que foi marcante. Sendo assim, posso afirmar que minhas saudades são baseadas em momentos bons da minha vida.

Há aqueles que afirmem que saudade está diretamente ligada ao amor e à paixão, independente de pelo que ou por quem nos apaixonamos, o que, ou quem amamos: um ser, uma situação, uma fase de nossas vidas...

Sinto saudades da minha faculdade, por que aproveitei cada momento. Dos amigos que ali fiz, e das risadas boas que ali dei. Sinto saudades dos meus amores e certamente daqueles que nunca mais terei o prazer de reencontrar.

Sinto saudades de mim mesmo, isso mesmo. Da pessoa que fui antes que algum acontecimento, decepção ou frustração me transformasse em alguém diferente, às vezes irreconhecível. Tenho até medo...

A saudade amorosa é bem definida nestes versos de Vinícius de Moraes:

“Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não”